De interrupção a conteúdo relevante: a propaganda no século XXI

Precisamos falar sobre criatividade.
3 de agosto de 2018

De interrupção a conteúdo relevante: a propaganda no século XXI

#AlémdoÓbvio

De interrupção a conteúdo relevante: a propaganda no século XXI


A publicidade tradicional vive uma crise. Isso porque o modelo clássico da comunicação não se sustenta mais. Se antes o movimento em sentido único meios de comunicação > mensagem > público era muito claro, agora a informação flui em todas as direções. O público tem voz e também é produtor de mensagens, conteúdos e opiniões. O avanço tecnológico faz com que as pessoas possam escolher onde, quando e quais informações merecem suas atenções. Esse momento de convergência das mídias não provocou apenas uma revolução na forma com que nos relacionamos com os meios de comunicação. Provocou também uma profunda mudança no jeito de se fazer publicidade e propaganda.

Vamos ser sinceros: a propaganda é uma interrupção. E ninguém gosta de ser interrompido. Quando o público passa a ter o controle da informação que consome, ele tem a liberdade de, ao se deparar com uma peça publicitária, trocar de canal, pular o vídeo ou ignorar a mensagem. Ele pode até mesmo contestar, criticar e reclamar sobre o fato de ser interrompido. Reconhecer esse cenário é fundamental para um entendimento da situação atual e, principalmente, para projetar os próximos anos.

Entendido que a propaganda é uma interrupção, surge uma alternativa: ela não precisa ser uma interrupção. Na verdade, não é uma possibilidade, é um dever. Vamos deixar claro: a boa propaganda não deve ser uma interrupção. Isso porque ela não pode ser entendida como uma simples propaganda, mas como uma informação que gera interesse. Ao contribuir com algo que faça a diferença na vida das pessoas, a comunicação passa de interrupção para conteúdo relevante.

A palavra-chave aqui é relevância. Esse é o desafio. E fazer isso não é uma tarefa fácil. Para tanto, é necessário planejamento e criatividade. É preciso entender o público, definir estratégias e traçar objetivos. Somente após isso é que o processo criativo entra em jogo. E esse é o ponto da mudança de se fazer propaganda. Não basta apresentar produtos, vender serviços, colocar bens à disposição do mercado. É necessário apresentar os benefícios que esses produtos, serviços e bens irão agregar na vida dos consumidores. É preciso demonstrar a boa experiência que nasce da relação entre marcas e clientes.

Esqueça a época em que o público era passivo e simplesmente comprava, adquiria, assinava, obtinha, pagava. Atualize os verbos. Participar, acreditar, crer, encantar, fascinar são ações imprescindíveis em uma sociedade convergente. Cada vez mais as pessoas estão inclinadas a se envolver com ideias, conceitos e propósitos. Não com enlatados.

Alexandre Kirst

Diretor Geral de Redação

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